Junho de 2017

Nosso Senhor Jesus Cristo: os títulos cristológicos em 1Ts

JM

Em nosso encontro de maio, colocamo-nos no cerne do pensamento evangelizador de Paulo: a tríade – fé, caridade e esperança e nos propusemos a refletir sobre esses dons vividos em plenitude e de forma exemplar pelos tessalonicenses. Esta vivência levou Paulo a exultar de alegria ao longo da carta, rendendo uma dupla ação de graças a Deus.

Nossa atenção, como você pode (re)ver em nossa Dica Bíblica anterior, está na fé professada pelos tessalonicenses. Uma fé que, como vimos, se traduz na aceitação do evangelho, que é o anúncio da morte e ressureição de Jesus de Nazaré, o Cristo, da presença atuante de Deus Pai e do Espírito de Cristo, sendo este o núcleo da mensagem cristã, denominado querigma.

É importante recordarmos que este é o primeiro escrito do Novo Testamento, antecedendo, portanto, aos Evangelhos e Atos dos Apóstolos. Até então o que repercute nas comunidades é a vida de Jesus de Nazaré, que nos apresentava Deus como Pai, e que impactou a todos com sua morte e a muitos com sua ressurreição. Dentre estes está Paulo que não conheceu Jesus pessoalmente, mas que aderiu a Jesus como Cristo e como Filho de Deus (1Ts 1,10).

Às pregações paulinas, muito do vigor e força do querigma, que levou a comunidade tessalonicense a viver sua fé intensamente, advém da forma como Paulo dá a conhecer Jesus. Sim, porque até então falava-se em Jesus de Nazaré. Agora Paulo afirma que este Jesus é o Cristo (2,14; 5,18), o Senhor (2,15.19; 3,11.13; 4,1), o Nosso Senhor Jesus Cristo (1,1.3; 5,9.23.28) e o Filho (1,10), para falar daquele que está no cerne da fé. E é sobre o significado desses títulos que faremos uma breve, mas significativa reflexão. Vejamos!

O primeiro é Cristo, palavra grego que traduz o termo hebraico “messias”, que quer dizer “ungido”.  Pode-se observar nos textos bíblicos, que ungidos eram os reis (cf. 1Sm 9,16; 10,1; 16,1.12-13; 1Rs 1,39), os sacerdotes (Ex 29,7; Lv 8,12) e os profetas. Todos eles eram ungidos com óleo, símbolo de que Deus os havia escolhido, consagrados para uma missão específica. Como o óleo que fortifica, cura e impermeabiliza, nada deveria enfraquecê-los ou corrompê-los. Como o perfume do óleo, suas vidas deveriam ser do agrado do Senhor (Cf. GRUEN, W. Pequeno Vocabulário da Bíblia. 15.ed. São Paulo: Paulus, 2008.).

Portanto, Cristo se refere àquele que recebeu a unção, no qual são realizadas as promessas de Deus. Quando nos referimos a Jesus Cristo, estamos nos remetendo a Jesus, o Ungido, mas também o Messias. E, neste caso, com a missão de nos libertar do pecado, mostrar o caminho, a verdade e a vida de nossa salvação (Jo 14,6).

O segundo título é Senhor. Com este título evoca-se o ressuscitado e seu senhorio sobre o mundo e sobre todos os seus habitantes (At 2,36). Mas, também se estabelecia a oposição entre seu senhorio e dos governantes romanos que assim exigiam serem chamados, além de expressar que as relações cristãs não se baseiam no binômio senhor-escravo. Um senhor que não veio para dominar, mas para estar com, para servir (Jo 13,16).

Quando é utilizada a expressão nosso Senhor, o adjetivo “nosso” revela a estreita relação entre a comunidade e o Cristo, como também, ao considerar aquele tempo, é um rebelar-se contra o culto imperial romano, que fazia do César um “senhor”. Por isso, é um confronto entre os falsos senhores que dominavam o povo e o verdadeiramente Senhor, que doa a sua vida por amor ao povo.

Talvez agora possamos compreender melhor Paulo ao proferir o endereço da carta “à Igreja de Tessalônica, em Deus Pai, e no Senhor Jesus Cristo”. (1Ts 1,1) e compreender em maior profundidade a fé dos tessalonicenses, aderindo ao Cristo morto e ressuscitado, o nosso Senhor Jesus Cristo.

Sugestões:

  1. Identifique em 1Ts os versículos que apresentam os títulos atribuídos a Jesus de Nazaré: Cristo Jesus (2,14; 5,18), Senhor Jesus (2,15.19; 3,11.13; 4,1), Nosso Senhor Jesus Cristo (1,1.3; 5,9.23.28) e o Filho (1,10).
  2. Você já refletiu que ao proferirmos a expressão “Por nosso Senhor Jesus Cristo” estamos renovando o nosso compromisso com Jesus, que é o Messias?
  3. O que significa concretamente na minha vida professar que Jesus Crucificado é o Messias, o Senhor Ressuscitado, o Filho de Deus?
  4. Estamos em junho, mês dedicado ao “Sagrado Coração de Jesus” e a “Jesus Mestre”. Ao fazermos memória destas festas podemos nos perguntar: Quais são as relações que podemos estabelecer entre os títulos “Sagrado Coração” e “Jesus Mestre” e a profissão de fé presente no título “Jesus Messias, Senhor e Filho de Deus”?